Ruas Que Falam

Texto por Yanca Rosa sob supervisão de Nycole Nobrega e Raiana Monteiro.          

Ah, o Catete! Lugar do carteado da terceira idade ao hype da galera do skate; do Samba Raiz ao RAP; da Arte Clássica ao Graffiti; do asfalto à praia (ou brejo, como preferir)… O Catete tem história para contar e seu charme é inegável! Estas ruas são registros “vivos” do passado, e se CêVo RarPa bem pra LharO, o que restou das construções mais antigas nos lembra todos os dias que o bairro já foi palco de grandes eventos históricos e culturais. 

Já diziam os mais velhos: “Recordar é viver’’, então senta que lá vem história… e o rolé até o Catete virar O TeTeCa (TTK) é longo. Mas calma! Vamos devagarzinho… Já parou para pensar na origem do nome do bairro? Se você já sabe, parabéns, você é ACri mesmo! Mas se nunca se ligou nisso, sem problemas.
O nome Catete tem sua origem no Tupi, é a junção ka’a (mata) e eté-eté (imenso). E se hoje é habitado por você, antes era habitado pelos índios da aldeia Uruçumirim. O bairro é chamado assim por causa do rio Catete, que corria pelo que antes era chamado de Caminho do Catete.

Não é curioso como a parte do rio que percorria o bairro era chamada de “braço norte” do rio Carioca? Já que é bem assim que muitos leem este bairro: “a Zona Norte da Zona Sul”. Justamente por se situar numa região próxima ao centro da cidade, podemos dizer que o Catete absorveu um pouco de todos os tipos de vivências.

Rua do Catete em 24/01/1906. Foto: Augusto Malta.

No primeiro dia de Julho de 1866, ficava pronta a construção do principal patrimônio histórico-cultural, o Palácio do Catete. E como todo bom palácio, este também foi cenário de grandes polêmicas. Irmã(o), o que rolou foi treta ali dentro! Como o episódio do “corta-jaca’’, envolvendo Chiquinha Gonzaga, Nair de Teffé, primeira dama do governo no mandato de Hermes da Fonseca, e o senador Rui Barbosa. Imagina a cara da elite vendo uma mulher preta botando pra quebrar com o popular corta-jaca?

Nesses cômodos também rolaram grandes decisões e acontecimentos políticos, que mudariam o curso de todo o Brasil. Olha que isso é papo para um livro inteiro! E você sabia que só depois de muitos anos o Palácio do Catete ficou conhecido assim? Isso mesmo, foi só em 1897 que o palácio ficou grandão na cena, antes era a casa de um barão playboy… Mas não vamos nos ater somente ao palácio, não nesse primeiro texto.  O Catete tem muita coisa boa pra ser falada. 

Além de sediar momentos importantes na história do Rio e do Brasil, o bairro é uma mina de ouro cultural. Em todos os sentidos, viu? Temos músicas sobre o Catete, vários tipos de arte, obra literária sendo escrita logo ali na Correa Dutra, na pensão da Dona Elvira (simplesmente Vidas Secas, de Graciliano Ramos).

Já parou para pensar que na rua que você anda, já andaram Carmem Miranda, Clarice Lispector, Portinari, Cartola e tantas outras personalidades da cultura brasileira? E quando falamos em personalidades, não são só os “da antiga” não. O Catete é celeiro de nomes de peso do Rap Nacional e de outras cenas musicais. Tem de tudo para todos os gostos. 

Catete é comunidade, asfalto, cultura, história, memória, afeto, é você. Catete é tudo e mais um pouco. E é essa pegada que queremos mostrar; então, aguarde as cenas dos próximos capítulos para a gente vasculhar o que as ruas desse bairro guardam.

Movimento TTK

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