A Joia do Catete

Texto por Yanca Rosa sob supervisão de Nycole Nobrega e Raiana Monteiro.

Dando continuidade ao nosso papo sobre memória, mosva lafa do Palácio do Catete? Então chega mais e relaxa que lá vem história. Você, como bom cria do bairro, já se deparou muitas vezes com aquela construção monumental na esquina da Rua do Catete com a Silveira Martins. E já bem dizia Machado de Assis num trecho de Esaú e Jacó “As grandes janelas, as grandes portas, as grandes águias no alto, de asas abertas.” Já parou para reparar na beleza absurda e imponente dessa construção neoclássica*? É de tirar o fôlego, né? 

Não basta ter beleza, tem que ter conteúdo. E vamos combinar? Isso o Palácio do Catete tem de sobra. Em 1858, um cara chamado Antônio Clemente Pinto, mais conhecido como Barão de Nova Friburgo, comprou a casa 159, na Rua do Catete, e toda extensão do terreno. O cara teve a ideia de demolir tudo o que tinha ali e fazer uma nova construção, tipo “vamo fazer um palácio? Vamo” e foi mesmo.

Pra tirar isso do papel, ele chamou um arquiteto alemão, essa é a parte difícil, calma, o nome do cara é complicado, Carl Friedrich Gustav Waehneldt (não, eu não espirrei). Mas o palácio que ostenta as grandes estatuas de águias, ave que representa a liberdade, foi mais um capítulo na história escravista do Brasil, mais um episódio da elite branca escravizando o povo negro. Uma boa parte da mão de obra que atuou na construção do palácio foi de escravos de aluguel (escravos de ganho). A obra só foi ficar pronta lá pra 1866.

Jardins do Palácio do Catete – Foto: Divulgação Jornal “Acorda Cidade”

Vamos dar um pulo no tempo. O ano era 1889, ano em que foi proclamada a república, a sede do governo provisório era o Palácio do Itamarati, localizado mais no centro, numa região mais comercial. Em 1894, Prudente de Moraes é eleito, sendo o primeiro presidente por voto direto. Dois anos depois, o palácio passa a ser propriedade do governo federal. Para ser sede do poder executivo, ele passa por várias reformas e em 25 de Fevereiro de 1897, Prudente de Moraes se muda pra lá e o Palácio Nova Friburgo (antigo nome do palácio) passa a ser sede do poder executivo. E é ai que as coisas começam a se desenrolar historicamente falando. No dia 30, o Jornal do Commercio estava fazendo uma baita cobertura sobre isso e cria a expressão “Palácio do Catete”, nome que usamos até hoje, né. Mas enfim, eu sei, muitas datas, é mó missão falar da história da joia do Catete, mas respira. 

Falar do palácio é papo de muitas horas, a história do Brasil passa pelo Catete, então relaxa que com calma a gente faz isso. Ainda tem história pra contar, é cada rolé, cada treta que aconteceu dentro daquelas paredes, que olha… Vou parando por aqui pra fazer a linha misteriosa, mas já prometendo que vem mais por ai. Enquanto isso, te convido a toda vez que passar em frente ao palácio, refletir sobre a importância histórica e admirar a beleza dos detalhes, as vezes é tanto corre pra fazer que a gente esquece de reparar o que tem no nosso caminho. Nos mosve poisde, acri!

*O neoclássico é um estilo arquitetônico que foi predominante na Europa, no finalzinho do séc. XVIII. Quer saber como identificar as características neoclássicas? Repare na simetria no prédio, nas formas regulares e geométricas, nos tipos de matérias (granito, mármore, pedra, madeira…)

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